29 de março de 2013

O horóscopo nosso de cada dia

Horóscopo: ou você ama ou odeia, e se odiar ainda assim fica matutando sobre como aquelas palavrinhas impressas no jornal ou nas revistas de 2,00 reais fazem sentido atualmente em sua vida. Contudo, ainda assim, prossegue na sua postura rígida e racional achando aquilo uma besteira. Nada contra horóscopo, você acredita no que quer acreditar. Eu, por exemplo, creio em criptozoologia, que animais como o gato gigante da Inglaterra podem existir de fato, mas não espero ser julgada insana por ter esperanças de ver o Monstro do Lago Ness um dia.

Minha birra com horóscopo é porque ele é extremamente deprimente. A previsão dos signos sempre começa com algo alegre, do tipo “Você está numa fase entusiasmada, aproveite para fazer as pazes com seu amor...”, e logo o restante do texto se desenrola numa catástrofe de tão grandiosa proporção quanto passar o dia inteiro assistindo propaganda política. Você descobre que seu signo está uma porcaria naquela semana (e se tiver muita sorte a onda de azar não será durante todo o mês), que não tem qualquer atitude sua que faça com que as desgraças destinadas a você sejam contornadas, e o único remédio é esperar pela triste profecia dos astros.

Pessoas que acreditam em horóscopo tendem a por a culpa de tudo que acontece de ruim em sua vida nos astros. Um exemplo clássico é aquele de que “certamente a movimentação dos planetas é a verdadeira bruxa por meu namoro ter acabado e aquele filho da mãe já estar com outra enquanto eu enfio minha cara na panela de brigadeiro”. Eu fico pensando se alguém já ultrapassou o limite mínimo de ser simplesmente cara de pau e tentou justificar algum crime culpando seu signo:

Senhor Juiz, eu confesso que atirei meu marido pela janela, mas é porque sou impulsiva e todos de Áries são sensíveis, portanto não é minha culpa. Eu não queria ter nascido naquele dia. Estou no meu inferno astral!
Outro aspecto que me incomoda nessa análise dos astros, planetas e toda a poeira cósmica que quiserem estudar, é a forma vaga que o horóscopo se refere ao meu destino. Quero dizer, é minha vida que está sendo traçada e ele pouco se importa em ser mais específico. Por exemplo, o horóscopo de Libra hoje (meu signo), diz:

O momento continua trazendo mudanças efetivas em suas relações e promete surpresas. Algo pode terminar, mas algo também pode começar. O imprevisto chega e você deve estar preparado. Um namoro pode começar. 
Dizer que algo pode terminar, mas algo também pode começar não me diz muito, para ser sincera. Por favor, se eu estou lendo o horóscopo é para ter alguma clareza, não adicionar mais ambiguidades nos meus dias que por ordem já são bastante confusos.

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